Raul Proença em 1927, no seu Guia de Portugal, descrevia Figueiró dos Vinhos como uma “linda vila de 4672 habitantes, sede de concelho e de comarca, derramada nas fraldas duma colina sob o elevado monte de St. º António do Peão”. Este autor enuncia algumas características contemporâneas da Vila: o seu hotel comercial, a fábrica de pão-de-ló de António De Vasconcelos, o Clube Figueiroense, inaugurado em 1895, “um dos melhores da província”, com um pequeno teatro com um pano de boca de cena de Augusto Machado, sala de bilhar com um teto de Malhoa, biblioteca com estátua de mármore de Camões, por Mestre Simões d´Almeida Júnior. Elogia a Igreja Matriz, Monumento Nacional, com o seu portal em cujo nicho se expunha a imagem do padroeiro, S. João Baptista, da autoria do Mestre Simões d´Almeida Júnior, também ele autor do Cristo de um dos altares do Templo, e o retábulo do "Baptismo de Cristo", pintado por José Malhoa, que se admira na capela-mor revestida a azulejos datados de 1716.

  

 

  

Possuidor de um património histórico e a arquitetónico rico traduzido na sua história plurissecular, foi terra de antigos conventos, um deles carmelita, ainda existente, e o outro de clarissas, entretanto desaparecido, do qual apenas resta a quinhentista Fonte das Freiras. Casario humilde ou solarengo ladeia a praça e os arruamentos da antiga vila quinhentista conduzem os visitantes ao encontro com a antiga Torre da Cadeia, primitiva casa da câmara figueiroense nos finais da idade média e ainda, no sec. XVI,  na qual se evoca a memória da vereação que a fez reformar no ano de 1506.
Representa hoje um dos raros monumentos portugueses do poder local municipal.
Junto dela edificou-se a cadeia.

 

A zona de ocupação humana mais antiga de Figueiró dos Vinhos terá sido um povoado pré-romano, no local denominado “O Castelo”, cujo topónimo indicia a preexistência de um castro, numa colina elevada de onde se avista a vila e grande parte do território circundante.

Em 1135, fazia parte da Herdade do Pedrogão, concedida por Afonso Henriques, enquanto portugalensium prínceps a Uzbert et Monioni Martíniz et Fernando Martíniz. Em 1200, D. Sancho I doou a seu irmão e alferes-mor do Reino, D. Pedro Afonso, o Reguengo de Monsalude, território onde foram depois fundados os concelhos de Arega, Figueiró e Pedrógão. D. Pedro Afonso concedeu Carta de Foral a Figueiró no ano de 1204. Em 1514, D. Manuel I outorgou-lhe Foral Novo, já com o nome Figueiró dos Vinhos.

O núcleo quinhentista desenha-se entre o “cimo da vila” e o Largo Principal. É este conjunto que constitui o Centro Histórico de Figueiró dos Vinhos e onde se mantém algum do tipicismo original da arquitetura quinhentista, visível na traça dos edifícios e nos umbrais graníticos das portas e janelas. Nos séculos XIX e XX, conheceu grandes mudanças arquitetónicas e urbanísticas, na sua zona menos elevada e sem que o núcleo original se alterasse. Foi no séc. XX que Figueiró dos Vinhos foi elevada a Estância de Turismo, que se executou o jardim parque municipal, construção da hidroelétrica da Lapa da Moura e a inauguração da luz elétrica, bem como a inauguração do novo hospital da Misericórdia e da Escola secundária Municipal e do Busto de Malhoa.


Aguda

A ocupação histórica do que hoje é o território de Aguda remonta ao tempo dos romanos, havendo indícios da existência de uma villae perto da povoação do Olival. Também os árabes povoaram esta zona, como se comprova pelo topónimo Almofala, palavra mourisca que significa acampamento.

Em 1209 D. Sancho I fez doação da Herdade de Almofala a Dª Maria Pais Ribeiro, confirmada por D. Afonso II em 1216. D. Manuel, em 1514, confirmou-lhe foral, dando-lhe título de vila. Formou, juntamente com Chão de Couce, Avelar, Pousaflores e Maçãs de Dona Maria, a Comarca das “Cinco Vilas”. Somente em 1855, por decreto de D. Pedro V, passou a integrar o Concelho de Figueiró dos Vinhos.


Arega

Território de ocupação antiquíssimo, teve a sua carta de Foral atribuída em 1201, por D. Pedro Afonso. Filipe II de Espanha doou o seu território a D. Francisco de Melo, Marquês de Ferreira, primeiro Duque do Cadaval. Com a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira, passou a englobar o Concelho de Maçãs de Dona Maria, tendo sido somente em 1855 que passou a integrar o Concelho de Figueiró dos Vinhos.


Campelo

Campelo pertenceu, desde os tempos de D. Sancho I, ao Concelho de Miranda do Corvo.

Terá sido no lugar de Casal da Ponte que, no início do séc. XVII, foi escolhido para sede da paróquia de Alge. Nesse sítio já existia uma antiga capela e cemitério, onde hoje situa-se a igreja da freguesia. A partir de 1630, por influência de Frei Gaspar de Campelo, mestre dos noviços carmelitas, junto dos Condes de Miranda do Corvo, conseguiu iniciar a construção de uma igreja, sobre os penhascos da capela do Casal da Ponte. A nova igreja foi benzida por Frei Gaspar, que ofereceu a imagem de Nossa Senhora da Graça, que passou a ser a padroeira da freguesia. A terra passou-se a chamar campelo em homenagem Frei Gaspar. Integrou o Concelho de Figueiró dos Vinhos a partir de 1805.


União de Freguesias de Figueiró dos Vinhos e Bairradas

Constituída em 2013, no âmbito da reforma administrativa nacional, agregou as antigas freguesias de Figueiró dos Vinhos e Bairradas.

Tendo pertencido sempre à freguesia de Figueiró dos Vinhos, apenas em 1985 as Bairradas foram elevadas à categoria de freguesia, voltando a agregar-se a Figueiró dos Vinhos em 2013. O seu nome advém da palavra mourisca barrio, que significa “terreno inculto e despovoado, mas tem condições necessárias à sua reconversão”. Também o nome Marvila indicia que tenha sido o primeiro lugar desta freguesia.

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