'O Cantar da Pedra' - Expressões sonoras e visuais a partir de trabalho de campo

novembro 01, 2021

26 de novembro a 07 de dezembro


        Inauguração:
26 de novembro, às 18h00

 

Museu e Centro de Artes
Avenida José Malhoa


 

"O Cantar da Pedra" é uma criação do Binaural Nodar levada a cabo por uma equipa de etnógrafos, de artistas sonoros e visuais, a quala nasceu de um repto relativamente simples lançado pelos três municípios integrantes do projeto Territórios de Pedra: conceber uma instalação artística a partir dos filhos relacionados com o património ligado à pedra existente nos municípios de Ansião, Pombal e Figueiró dos Vinhos.

A equipa que desenvolveu a criação, Luís Costa, Mónica Garcia, João Farelo, Nely Ferreira e Liliana Silva, encarou o referido repto como um ponto de partida, um que haveria de ser investigado no detalhe, a partir de uma presença direta no terreno. Dito de outro modo, só o trabalho de campo, com suas metodologias de investigação e de interação, revelou que "os cantares" da pedra, necessariamente específicos e contingentes, que poderiam servir de base para o processo posterior de criação.

Nesse sentido, o desafio inicial começou a ser paulatinamente "desfiado" entre os meses de junho e setembro de 2021, período em que se desenvolveu três residências artísticas nos municípios de Ansião, Pombal e Figueiró dos Vinhos, sendo que uma série de "iluminações" começou gradualmente a surgir:

- A temática da pedra encerra um conjunto infinito de possibilidades, intuição que nasceu da disponibilidade da equipe para aceitar um princípio de "multivocalidade", ou seja de vozes oriundas de uma diversidade de contextos, sejam os habitantes do território, os investigadores locais ou autores de textos científicos, filosóficos ou poéticos, como formariam uma densa que textura de experiências e de ângulos de leitura.

- A materialização do conceito de "O cantar da pedra" deveria ser encarada de forma aberta, uma que incluísse as referidas múltiplas vozes sobre a pedra: de canteiros, de pedreiros, de calceteiros, de transportadores de brita, de construtores de muros em pedra seca, de escultores, de colecionadores de pedras, de membros das comunidades religiosas, moleiros, de pastores, de geógrafos, de geólogos, enfim, de qualquer pessoa com interesse ou experiência nalgum aspeto passível de ser incluído na temática do projeto.

- Às vozes referidas atrás deveriam juntar-se outros "cantares", como paisagens sonoras, por exemplo dos próprios trabalhos na pedra e um conjunto de interações sonoras levadas a cabo pela equipa do projeto e que consistiram em manipulações de contextos geológicos (rochas, buracas, pedras), de forma a que poderia ser escutados alguns filhos "adormecidos" ou "em própria"

- É legítima uma abordagem sinestésica no conceito de "O cantar da pedra", uma que pode cruzar aspetos tácteis, visuais, sonoros, de pensamento etc., pelo que se decidiu incorporar, tanto no trabalho de campo como na criação final, uma camada de expressão plástica, da autoria de Mônica Garcia, que dialoga com como restantes vozes e, como tal, adicionarsse outras camadas poéticas e de sentido.

Com base nos aspetos referidos atrás, concebeu-se a criação "O cantar da pedra", o qual se materializou em dois elementos complementares:

  1. a) um arquivo digital online com sessenta edições sonoras catalogadas, vinte relacionados com as gravações de campo efetuadas em cada município por Luís Costa, Nely Ferreira e João Farelo, disponível em https://www.cantardapedra.org.
  1. b) uma exposição com três camadas de leitura compostas por uma instalação sonora a quatro canais da autoria de Luís Costa e João Farelo, um conjunto de intervenções plásticas da autoria de Mónica Garcia e um conjunto de painéis visuais desenhados por Liliana Silva que refletem os conteúdos do arquivo sonoro em linha. Tanto como intervenções plásticas como os painéis visuais ascendem a sessenta em cada exposição, vinte relacionados com o trabalho de campo em cada município.

Por último, a equipa do projeto agradece de forma empática a ajuda prestada pela área de cultura dos Municípios de Ansião, Pombal e Figueiró dos Vinhos e por um vasto conjunto de pessoas que acederam a ser entrevistadas ou que mediaram contatos para que o trabalho de campo tenha sido o mais possível:

Ansião: Mário Jesus, Ezequiel Carvalho, Arlindo Dias, Abílio Gomes, Teresa Ramos, Fernando Freire, João Paulo Forte, Saúl Simões, Cláudia Santos, Jaime Tomás, João Domingos, Maria Sá , Jacinta Dias, Padre Armando Duarte, José Dias e Raquel Fradique.

Pombal: Sónia Fernandes, Raquel Goucha, Diogo Moura, Ernesto Ferreira, Lourenço Monteiro, Manuel dos Santos, Lino Marques, Lúcio Marto, gerência e funcionárias do Restaurante Estrela de Sicó, Catarina Vieira, Manuel Fernandes, Fernando Amaro, Carlos de Jesus Maria e Manuel Branco.

Figueiró dos Vinhos: João Pedro Dias, Jorge Agria, Eduardo Abreu, Margarida Lucas, Manuela Santos, Manuel Ventura, António Lourenço, Rita Cabral, Paulo Dias, Carlos Simões, Carlos Baião, Bruno Batista e Albertino Torres.

 

Ficha técnica:
Direção Artística:
Luís Costa Captação, edição e mapeamento sonoro:
Luís Costa, João Farelo e Nely Ferreira Intervenções plásticas: Mônica Garcia
Concepção do percurso expositivo: Luís Costa, Mônica Garcia e Liliana Silva
Concepção do arquivo digital: Luís Costa

 

 

A realização do evento obede constituía todas as normas e recomendações emanadas pelo Governo Português e pela Direção-Geral de Saúde, no sentido de salvaguardar o bem-estar e saúde de todos.

 


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