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Aviso à População: Continuação de períodos de chuva intensa, vento e agitação marítima forte

dezembro 09, 2022

1.1 - SITUAÇÃO METEOROLÓGICA:

Em complementaridade ao Aviso n.º 21, de 10 de dezembro, e após contactos com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), realizados hoje no Comando Nacional de Emergência e Proteção Civil (CNEPC) da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), prevê-se a continuação de condições meteorológicas adversas (precipitação intensa, vento e agitação marítima forte) para as próximas horas, salientando-se o seguinte:

  • A partir da madrugada de segunda-feira, 12 de dezembro, prevê-se a ocorrência de precipitação persistente que poderá ser temporariamente forte (com valores até 80 mm/12h entre as 00h-12h) nas regiões Norte e Centro, sendo o período mais crítico entre as 06 horas e as 12 horas, estendendo-se progressivamente para Sul durante a tarde, prevendo-se para os distritos de Setúbal, Évora e Beja valores acumulados até 60 mm no período 12h-24h; 
  • Na terça-feira, 13 de dezembro, precipitação persistente e por vezes forte, nos distritos de Setúbal, Évora, Santarém, com acumulados até 70 mm no período 00h-12h, para as restantes regiões os valores acumulados podem chegar a 20 a 40 mm/12h. No período da tarde, a precipitação será mais provável nas regiões do Centro, do Alto Alentejo e Faro (até 20 a 40 mm/12h);
  • Condições favoráveis à ocorrência de trovoada; 
  • Vento de sudoeste, a soprar forte (até 45 km/h), com rajadas até 90 km/h no litoral, e nas terras altas até 100 km/h, a partir da madrugada de amanhã nas regiões Norte e Centro; 
  • Na terça-feira, vento a manter-se forte e com rajadas até 90 km/h nas terras altas da região Sul;
  • Agitação marítima forte, com ondulação de oeste-sudoeste com ondulação superior a 3 metros, temporariamente entre 4 a 5 metros, na costa ocidental a partir de amanhã.

 

1.2 - INFORMAÇÃO HIDROLÓGICA RELEVANTE

De acordo com a informação disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), salienta-se para as próximas horas variações significativas dos níveis hidrométricos nas zonas historicamente mais vulneráveis:

  • Bacias dos rios Minho, Lima, Cávado, Ave (rio Este), Douro (Tâmega e Sousa), Leça e Vouga (Águeda), com eventuais situações de inundação de origem fluvial e urbana;
  • Bacia do rio Tejo – aumento das afluências com possível impacto na terça-feira, 13 de dezembro.

Nas bacias urbanas e em particular naquelas em que se faça sentir o efeito de maré, não é de excluir a possibilidade de inundações nas zonas historicamente vulneráveis, conjugando o efeito da forte agitação marítima.

 

2 - EFEITOS EXPECTÁVEIS:

Em função das condições meteorológicas presentes e previstas é expectável:

  • Ocorrência de inundações em zonas urbanas, causadas por acumulação de águas pluviais por obstrução dos sistemas de escoamento;
  • Ocorrência de cheias, potenciadas pelo transbordo do leito de alguns cursos de água, rios e ribeiras;
  • Instabilidade de vertentes, conduzindo a movimentos de massa (deslizamentos, derrocadas e outros) motivados pela infiltração da água, podendo ser potenciados pela remoção do coberto vegetal na sequência de incêndios rurais, ou por artificialização do solo;
  • Arrastamento para as vias rodoviárias de objetos soltos, ou ao desprendimento de estruturas móveis ou deficientemente fixadas, por efeito de episódios de vento forte, que podem causar acidentes com veículos em circulação ou transeuntes na via pública;
  • Piso rodoviário escorregadio, e formação de lençóis de água;
  • Possibilidade de queda de neve em áreas e a altitudes onde habitualmente se verifica;
  • Piso rodoviário escorregadio por eventual acumulação de gelo, neve e formação de lençóis de água.

 

3 – MEDIDAS PREVENTIVAS:

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) recomenda à população a tomada das necessárias medidas de prevenção, nomeadamente:

  • Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas;
  • Não se expor às zonas afetadas pelas cheias;
  • Garantir uma adequada fixação de estruturas soltas, nomeadamente, andaimes, placards e outras estruturas suspensas;
  • Ter especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atento para a possibilidade de queda de ramos e árvores, em virtude de vento mais forte;
  • Ter especial cuidado na circulação junto a zonas ribeirinhas historicamente mais vulneráveis a fenómenos de transbordo dos cursos de água, evitando a circulação e permanência nestes locais;
  • Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a possível formação de lençóis de água nas vias;
  • Não atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;
  • Não praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima;
  • Estar atento às informações da meteorologia e às indicações da Proteção Civil e Forças de Segurança.

 

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil apela à atenção de todos os responsáveis para a observância das situações acima descritas, adotando e divulgando as medidas preventivas divulgadas, com vista à mitigação dos riscos descritos e por forma a salvaguardar a proteção dos cidadãos e dos seus bens.

 Acompanhe as previsões meteorológicas em www.ipma.pt 

Fábrica de fundição de ferro localizada na margem da Ribeira de Alge, que explorava para o seu funcionamento, o combustível existente nas matas existentes na proximidade. O seu primeiro alvará terá sido concedido em 1655. Esta fábrica foi encerrada de 1759 a 1761, tendo sido feitos esforços para a sua reabertura já no início do século XIX, em cumprimento da carta régia de 18 de maio de 1801. Contudo, estes esforços foram abandonados aquando das invasões francesas. As infraestruturas ainda foram usadas para o fabrico de armas pelo exército Miguelista a utilizar no cerco do Porto.

As Reais Ferrarias da Foz do Alge surgiram como recuperação das desactivadas Ferrarias de Tomar e Figueiró, mandadas encerrar entre 1759 e 1761.
Por Carta Régia de 18 de Maio de 1801, dirigida ao Bispo de Coimbra, Conde de Arganil e Reitor da Universidade de Coimbra, o então Príncipe Regente D. João, considerava "(...) a grande necessidade, e utilidade que ha de crear-se hum estabelecimento Público (...) que tenha a seu cargo dirigir as Casas de Moeda, Minas e Bosques (...)", para o desenvolvimento daqueles ramos da indústria, fundamentais para a Real Fazenda e para o bem estar da sociedade.

Considerando que José Bonifácio de Andrade e Silva, Professor de Metalurgia na Universidade de Coimbra, nas viagens científicas pela Europa que fizera a mando da Rainha D. Maria I, tinha adquirido vastos conhecimentos e experiência nas áreas das Ciências e da Indústria metalúrgica, bem como da Administração Pública, reunindo condições para o cargo, nomeava-o Intendente Geral das Minas e Metais do Reino, ficando "(...) encarregado de dirigir, e administrar as Minas, e Fundições de Ferro de Figueiró dos Vinhos; e de propor [ao Príncipe Regente] todas as providencias, e regulamentos que [julgasse] necessarios para pôr em acção, o valor produtivo das mesmas Ferrarias. (...)".

José Bonifácio de Andrade e Silva deveria organizar e consolidar o ensino da cadeira de Metalurgia na Universidade de Coimbra durante seis anos, findos os quais deveria ocupar-se unicamente da Intendência Geral das Minas e Metais, ocupando-se particularmente das Ferrarias de Figueiró dos Vinhos, localizadas junto da Foz de Alge, bem como da abertura das minas de carvão de pedra.

No ano seguinte foi iniciada a reconstrução dos edifícios e foi contratado pessoal para os trabalhos. Entre 1807 e 1809 José Bonifácio de Andrade e Silva suspendeu as suas funções, devido às Invasões Francesas, tendo-se alistado no Corpo Voluntário Académico. Há, no entanto, registos de documentação durante esse período. A Fundição recuperou, depois o seu funcionamento normal, tendo atingido um bom nível técnico, de acordo com um relatório de 1837 do Barão de Eschwege, então Intendente Geral das Minas e Metais (segundo um estudo de António Arala Pinto, in "Indústria Portuguesa", 1947, referido no "Dicionário de História de Portugal").

As minas e a fundição estiveram em laboração até ao princípio do século XX.

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