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Município cria espaços de apoio no combate à Pandemia

abril 03, 2020

A Câmara Municipal, correspondendo a uma solicitação da ARS Centro e articulada com a Unidade de Saúde Familiar de Figueiró dos Vinhos, e no sentido de precaver uma eventual situação de emergência no concelho face ao possível aparecimento de outros casos COVID-19, encetou esforços para a criação de espaços para acolher e apoiar estes doentes.

Deste modo, foram adaptados dois locais, com características diferenciadoras de forma a contemplar as necessidades mais imediatas. Na vila de Figueiró dos Vinhos, o Pavilhão Gimnodesportivo foi adaptado para acolher duas valências distintas e separadas entre si, criando-se, assim, um primeiro espaço de Apoio à USF (Unidade de Saúde Familiar) e triagem COVID-19, equipado com internet, gabinetes médicos e equipamento próprio, e um segundo espaço de isolamento para Doentes COVID-19, das diversas faixas etárias e com capacidade para albergar 30 pessoas. Já nas Bairradas, foi criado um espaço com capacidade para receber 25 pessoas, a funcionar no Pavilhão Polidesportivo, apto a acolher utentes dos Lares (Idosos), numa situação de acolhimento temporário, que eventualmente tenham de ser retirados desses mesmos lares no âmbito desta pandemia.

Os espaços adaptados nestes dois equipamentos desportivos, que contemplam zonas de receção e rastreio, áreas de isolamento e balneários femininos e masculinos, pretendem não só ser uma resposta rápida e eficaz no apoio à população, em particular aos idosos que são os mais vulneráveis à infeção, mas também apoiar o trabalho de médicos e enfermeiros da USF, desviando o atendimento de utentes com sintomas respiratórios, que possam constituir caso suspeitos da COVID-19, para um espaço independente, e libertando, deste modo, o edifício da USF para utentes com outras patologias.

 

 

 

Fábrica de fundição de ferro localizada na margem da Ribeira de Alge, que explorava para o seu funcionamento, o combustível existente nas matas existentes na proximidade. O seu primeiro alvará terá sido concedido em 1655. Esta fábrica foi encerrada de 1759 a 1761, tendo sido feitos esforços para a sua reabertura já no início do século XIX, em cumprimento da carta régia de 18 de maio de 1801. Contudo, estes esforços foram abandonados aquando das invasões francesas. As infraestruturas ainda foram usadas para o fabrico de armas pelo exército Miguelista a utilizar no cerco do Porto.

As Reais Ferrarias da Foz do Alge surgiram como recuperação das desactivadas Ferrarias de Tomar e Figueiró, mandadas encerrar entre 1759 e 1761.
Por Carta Régia de 18 de Maio de 1801, dirigida ao Bispo de Coimbra, Conde de Arganil e Reitor da Universidade de Coimbra, o então Príncipe Regente D. João, considerava "(...) a grande necessidade, e utilidade que ha de crear-se hum estabelecimento Público (...) que tenha a seu cargo dirigir as Casas de Moeda, Minas e Bosques (...)", para o desenvolvimento daqueles ramos da indústria, fundamentais para a Real Fazenda e para o bem estar da sociedade.

Considerando que José Bonifácio de Andrade e Silva, Professor de Metalurgia na Universidade de Coimbra, nas viagens científicas pela Europa que fizera a mando da Rainha D. Maria I, tinha adquirido vastos conhecimentos e experiência nas áreas das Ciências e da Indústria metalúrgica, bem como da Administração Pública, reunindo condições para o cargo, nomeava-o Intendente Geral das Minas e Metais do Reino, ficando "(...) encarregado de dirigir, e administrar as Minas, e Fundições de Ferro de Figueiró dos Vinhos; e de propor [ao Príncipe Regente] todas as providencias, e regulamentos que [julgasse] necessarios para pôr em acção, o valor produtivo das mesmas Ferrarias. (...)".

José Bonifácio de Andrade e Silva deveria organizar e consolidar o ensino da cadeira de Metalurgia na Universidade de Coimbra durante seis anos, findos os quais deveria ocupar-se unicamente da Intendência Geral das Minas e Metais, ocupando-se particularmente das Ferrarias de Figueiró dos Vinhos, localizadas junto da Foz de Alge, bem como da abertura das minas de carvão de pedra.

No ano seguinte foi iniciada a reconstrução dos edifícios e foi contratado pessoal para os trabalhos. Entre 1807 e 1809 José Bonifácio de Andrade e Silva suspendeu as suas funções, devido às Invasões Francesas, tendo-se alistado no Corpo Voluntário Académico. Há, no entanto, registos de documentação durante esse período. A Fundição recuperou, depois o seu funcionamento normal, tendo atingido um bom nível técnico, de acordo com um relatório de 1837 do Barão de Eschwege, então Intendente Geral das Minas e Metais (segundo um estudo de António Arala Pinto, in "Indústria Portuguesa", 1947, referido no "Dicionário de História de Portugal").

As minas e a fundição estiveram em laboração até ao princípio do século XX.

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