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Aprovada obra de requalificação da Av. Heróis do Ultramar e Dr. Fernando Lacerda

julho 29, 2020

A criação de um percurso entre a Praça Simões de Almeida (Sobrinho) e o Bairro São João Batista, vias designadas por Avenida Heróis do Ultramar e Avenida Dr. Fernando Lacerda, está na base da aprovação de mais uma candidatura apresentada, pelo Município, ao Programa Operacional do Centro - CENTRO2020.

Aprovado a 26 de junho de 2020, o projeto visa criar condições para a mobilidade sustentável, nomeadamente a pedonal, criando todas as condições de visibilidade e de segurança, principalmente aos cidadãos com mobilidade reduzida e tem um investimento total de 701.048,00 € cuja comparticipação do FEDER é de 590.291,92 € (85 %).

A intervenção nestas duas avenidas, tão frequentadas pelos peões e automobilistas, consiste, na criação de um percurso pedonal, ligando zonas residenciais ao centro da vila e permitindo, assim, à população deslocar-se a pé desde o Bairro São João Batista até à Praça Simões de Almeida (Sobrinho), vulgarmente conhecida por Rotunda da Fonte Luminosa, através da Av. Dr. Fernando Lacerda (Parque do Vale da Pipa) e Av. Heróis do Ultramar.

A obra de beneficiação contempla, igualmente e entre outros trabalhos, a criação de uma rede de iluminação vocacionada para o percurso pedonal de modo a estabelecer todas as condições de visibilidade e de segurança, principalmente no Inverno; a reformulação do troço da Av. Heróis do Ultramar, uma vez que o mesmo foi referenciado pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) como zona de acumulação de acidentes, sendo aconselhada a reformulação geométrica da interseção onde existem semáforos, substituindo o entroncamento por uma rotunda e removendo os semáforos; e por último, a criação das infraestruturas básicas nas zonas intervencionadas, nomeadamente rede de águas pluviais, abastecimento de água e de águas residuais.

A requalificação destas duas vias irá, assim, incrementar não só a deslocação de peões, principalmente de cidadãos com mobilidade reduzida, ao melhorar o acesso ao centro da vila onde existem vários equipamentos de serviço público, comércio, restauração, bancos, farmácias, mercado municipal, centro de saúde, entre outros, mas também diminuir o uso do transporte automóvel individual, criar novas rotinas quotidianas e contribuir, assim, para uma melhoria de qualidade do ambiente urbano e da qualidade de vida dos figueiroenses.

Fábrica de fundição de ferro localizada na margem da Ribeira de Alge, que explorava para o seu funcionamento, o combustível existente nas matas existentes na proximidade. O seu primeiro alvará terá sido concedido em 1655. Esta fábrica foi encerrada de 1759 a 1761, tendo sido feitos esforços para a sua reabertura já no início do século XIX, em cumprimento da carta régia de 18 de maio de 1801. Contudo, estes esforços foram abandonados aquando das invasões francesas. As infraestruturas ainda foram usadas para o fabrico de armas pelo exército Miguelista a utilizar no cerco do Porto.

As Reais Ferrarias da Foz do Alge surgiram como recuperação das desactivadas Ferrarias de Tomar e Figueiró, mandadas encerrar entre 1759 e 1761.
Por Carta Régia de 18 de Maio de 1801, dirigida ao Bispo de Coimbra, Conde de Arganil e Reitor da Universidade de Coimbra, o então Príncipe Regente D. João, considerava "(...) a grande necessidade, e utilidade que ha de crear-se hum estabelecimento Público (...) que tenha a seu cargo dirigir as Casas de Moeda, Minas e Bosques (...)", para o desenvolvimento daqueles ramos da indústria, fundamentais para a Real Fazenda e para o bem estar da sociedade.

Considerando que José Bonifácio de Andrade e Silva, Professor de Metalurgia na Universidade de Coimbra, nas viagens científicas pela Europa que fizera a mando da Rainha D. Maria I, tinha adquirido vastos conhecimentos e experiência nas áreas das Ciências e da Indústria metalúrgica, bem como da Administração Pública, reunindo condições para o cargo, nomeava-o Intendente Geral das Minas e Metais do Reino, ficando "(...) encarregado de dirigir, e administrar as Minas, e Fundições de Ferro de Figueiró dos Vinhos; e de propor [ao Príncipe Regente] todas as providencias, e regulamentos que [julgasse] necessarios para pôr em acção, o valor produtivo das mesmas Ferrarias. (...)".

José Bonifácio de Andrade e Silva deveria organizar e consolidar o ensino da cadeira de Metalurgia na Universidade de Coimbra durante seis anos, findos os quais deveria ocupar-se unicamente da Intendência Geral das Minas e Metais, ocupando-se particularmente das Ferrarias de Figueiró dos Vinhos, localizadas junto da Foz de Alge, bem como da abertura das minas de carvão de pedra.

No ano seguinte foi iniciada a reconstrução dos edifícios e foi contratado pessoal para os trabalhos. Entre 1807 e 1809 José Bonifácio de Andrade e Silva suspendeu as suas funções, devido às Invasões Francesas, tendo-se alistado no Corpo Voluntário Académico. Há, no entanto, registos de documentação durante esse período. A Fundição recuperou, depois o seu funcionamento normal, tendo atingido um bom nível técnico, de acordo com um relatório de 1837 do Barão de Eschwege, então Intendente Geral das Minas e Metais (segundo um estudo de António Arala Pinto, in "Indústria Portuguesa", 1947, referido no "Dicionário de História de Portugal").

As minas e a fundição estiveram em laboração até ao princípio do século XX.

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