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ESPORO - Visita Orientada | Filme Documental | Livro

setembro 22, 2022

esporo 14 outubroEstando previamente prevista para Julho, mas adiada face à situação de contingência imposta a esta região, chega agora a oportunidade do (re)conhecimento da Rota ESPORO pelo território de Figueiró dos Vinhos.

Esta apresenta-se como o resultado do trabalho realizado ao longo de 9 meses por uma dezena de artistas nacionais e internacionais - João Louro, Maria Ana Vasco Costa, Bosoletti, NeSpoon, ±MaisMenos±, Pedro Gramaxo, Ruído, Tiago Francez, Sawu e Colectivo Til – que, de acordo com as suas preocupações, abordagens conceptuais e com a sua estética, desenvolveram 12 intervenções / instalações site specific, em diversos formatos, medias e temporalidades, nesses lugares singulares onde a natureza prevalece.

Esta visita será orientada pela coordenadora e curadora do projeto, Lara Seixo Rodrigues, que revelará os conceitos, curiosidades e histórias por detrás de cada uma das 12 peças que compõem a Rota ESPORO. A inscrição para a visita em autocarro poderá ser feita aqui: https://bit.ly/busFigueiroDosVinhos

Este novo momento de celebração vem acompanhado por outras acções:

  • a estreia do filme documental "ESPORO" da autoria da realizadora @Mariana Vasconcelos, que regista todos os passos desta valorização, deste despertar do território através da arte, que é a missão singular deste projeto. O que ela nos apresenta em "ESPORO", o filme documental que agora se apresenta, vai muito além dos 9 meses de trabalho intenso por este território semente. Mariana oferece a sua constante procura e transmissão de um sentido de identidade visual singular a este projeto e aos temas e reflexões que levanta, uma característica do seu singular trabalho, que procura sempre criar conteúdos que alertem para preocupações sociais, políticas e ambientais. Todas estas, dimensões que inevitavelmente se encontram e debatem pelo ESPORO;

  • o lançamento do livro "ESPORO | Disseminação Cultural e Artística" que se assume como o documento que condensa todas as ações que se desenvolveram ao longo dos 9 intensos meses de trabalho de construção do ESPORO. Uma construção sonhada, desenhada e concretizada como alavanca para a (re)descoberta destes territórios, das suas (novas) identidades e constituir-se como uma marca de referência para esta região do Pinhal Interior. Uma marca que se concretiza ao traçar uma nova rota em zonas de natureza, através de práticas artísticas na área das artes plásticas, artes visuais, artes performativas e música, e que em conjunto com ações de mapeamento, mediação, capacitação, envolvimento das comunidades e cultura popular, criaram um diálogo singular, de enorme proximidade e igualmente desafiador, aspecto essencial na procura de novos olhares. Este livro é também um novo olhar ou uma colectânea de olhares, dos promotores, da organização, dos artistas que nos acompanharam ao longo destes 9 meses e, não menos importantes, o olhar de cada uma das pessoas, residentes ou visitantes, que se juntaram a nós nesta permanente e sempre inacabada descoberta.

 

Fábrica de fundição de ferro localizada na margem da Ribeira de Alge, que explorava para o seu funcionamento, o combustível existente nas matas existentes na proximidade. O seu primeiro alvará terá sido concedido em 1655. Esta fábrica foi encerrada de 1759 a 1761, tendo sido feitos esforços para a sua reabertura já no início do século XIX, em cumprimento da carta régia de 18 de maio de 1801. Contudo, estes esforços foram abandonados aquando das invasões francesas. As infraestruturas ainda foram usadas para o fabrico de armas pelo exército Miguelista a utilizar no cerco do Porto.

As Reais Ferrarias da Foz do Alge surgiram como recuperação das desactivadas Ferrarias de Tomar e Figueiró, mandadas encerrar entre 1759 e 1761.
Por Carta Régia de 18 de Maio de 1801, dirigida ao Bispo de Coimbra, Conde de Arganil e Reitor da Universidade de Coimbra, o então Príncipe Regente D. João, considerava "(...) a grande necessidade, e utilidade que ha de crear-se hum estabelecimento Público (...) que tenha a seu cargo dirigir as Casas de Moeda, Minas e Bosques (...)", para o desenvolvimento daqueles ramos da indústria, fundamentais para a Real Fazenda e para o bem estar da sociedade.

Considerando que José Bonifácio de Andrade e Silva, Professor de Metalurgia na Universidade de Coimbra, nas viagens científicas pela Europa que fizera a mando da Rainha D. Maria I, tinha adquirido vastos conhecimentos e experiência nas áreas das Ciências e da Indústria metalúrgica, bem como da Administração Pública, reunindo condições para o cargo, nomeava-o Intendente Geral das Minas e Metais do Reino, ficando "(...) encarregado de dirigir, e administrar as Minas, e Fundições de Ferro de Figueiró dos Vinhos; e de propor [ao Príncipe Regente] todas as providencias, e regulamentos que [julgasse] necessarios para pôr em acção, o valor produtivo das mesmas Ferrarias. (...)".

José Bonifácio de Andrade e Silva deveria organizar e consolidar o ensino da cadeira de Metalurgia na Universidade de Coimbra durante seis anos, findos os quais deveria ocupar-se unicamente da Intendência Geral das Minas e Metais, ocupando-se particularmente das Ferrarias de Figueiró dos Vinhos, localizadas junto da Foz de Alge, bem como da abertura das minas de carvão de pedra.

No ano seguinte foi iniciada a reconstrução dos edifícios e foi contratado pessoal para os trabalhos. Entre 1807 e 1809 José Bonifácio de Andrade e Silva suspendeu as suas funções, devido às Invasões Francesas, tendo-se alistado no Corpo Voluntário Académico. Há, no entanto, registos de documentação durante esse período. A Fundição recuperou, depois o seu funcionamento normal, tendo atingido um bom nível técnico, de acordo com um relatório de 1837 do Barão de Eschwege, então Intendente Geral das Minas e Metais (segundo um estudo de António Arala Pinto, in "Indústria Portuguesa", 1947, referido no "Dicionário de História de Portugal").

As minas e a fundição estiveram em laboração até ao princípio do século XX.

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